Se você me perguntar qual avivamento eu mais estudo de joelhos, eu responderia sem hesitar: o do País de Gales, em 1904. Porque ele não começou com uma estratégia, nem com um pregador famoso. Começou com uma oração desesperada de um rapaz que ninguém conhecia.

Um mineiro chamado Evan

Evan Roberts nasceu em 8 de junho de 1878, em Loughor, no sul do País de Gales. Começou a trabalhar cedo nas minas de carvão, ao lado do pai. Levava a Bíblia para o fundo do poço e a lia nos intervalos; conta-se que uma explosão chegou a queimar as páginas do seu exemplar.

Durante treze anos ele orou por avivamento. Não treze dias, nem treze semanas. Treze anos. E, na primavera de 1904, numa reunião, foi tomado por uma experiência profunda com Deus, da qual saiu com uma única oração no coração: “Dobra-me, Senhor”. Não “usa-me”, não “abençoa-me”. Dobra-me.

O avivamento não começa quando Deus se move. Começa quando alguém se rende.

Trinta e um de outubro de 1904

Roberts voltou à sua cidade e pediu ao pastor da capela Moriah, em Loughor, permissão para falar a um grupo de jovens depois do culto. Ficaram dezessete pessoas. Ele apresentou quatro passos simples: confessar todo pecado conhecido, abandonar tudo que fosse duvidoso, obedecer prontamente ao Espírito e confessar publicamente a Cristo.

Aquela reunião pequena virou reuniões que iam até de madrugada. Em semanas, o fogo tinha se espalhado por todo o país. As capelas ficaram lotadas, com pessoas em pé nos corredores e do lado de fora, sob chuva. Não havia sermões longos; havia confissão de pecado, canto espontâneo e oração simultânea.

Os efeitos sociais

Aqui está o que mais me impressiona — a marca do avivamento genuíno não é a emoção do culto, é a transformação da rua. Naqueles meses, no País de Gales:

  • tabernas ficaram vazias e várias fecharam;
  • dívidas antigas foram pagas e objetos furtados foram devolvidos;
  • tribunais chegaram a se reunir sem casos a julgar;
  • a fama do jogo, da bebida e da briga cedeu ao canto de hinos nas ruas e nas minas;
  • conta-se até que os cavalos usados nas minas ficaram confusos, porque os mineiros deixaram de praguejar e os animais não reconheciam mais os comandos.

Em pouco mais de um ano, cerca de cem mil pessoas foram acrescentadas às igrejas galesas. E o eco não parou nas fronteiras: notícias do que acontecia em Gales chegaram a Los Angeles e alimentaram a expectativa que explodiu em Azusa em 1906; alcançaram a Índia, através do trabalho de Pandita Ramabai, e a Coreia, no grande avivamento de Pyongyang em 1907.

O lado que ninguém quer contar

Evan Roberts se esgotou. Em 1906, exausto física e emocionalmente, retirou-se da vida pública. Viveu recluso a maior parte dos anos que lhe restaram, dedicando-se à intercessão, e morreu em 1951, longe dos holofotes.

Isso me ensina duas coisas. Primeira: instrumentos se gastam; a obra é de Deus. Segunda: precisamos cuidar de quem carrega fogo. Muitos obreiros hoje estão em colapso porque confundiram unção com ausência de limites humanos.

Mas a pergunta central permanece, e eu a deixo com você: quando foi a última vez que você orou “dobra-me, Senhor”, e realmente quis dizer isso?