Se existe uma história que eu gostaria que todo obreiro impaciente lesse, é esta.

Adoniram Judson nasceu em 9 de agosto de 1788, em Malden, Massachusetts, filho de um pastor congregacional. Brilhante desde criança, entrou na faculdade cedo e, ali, quase perdeu a fé sob a influência de um amigo cético. Deus o alcançou de volta de um modo dramático, e da sua entrega nasceu o movimento que faria dos Estados Unidos uma nação enviadora.

Um casamento com aviso prévio

Judson pediu a mão de Ann Hasseltine avisando por escrito, ao pai dela, que estava convidando a filha para uma vida de privação, doença, perseguição e possivelmente morte violenta em terra pagã. Ann aceitou. Casaram-se e, em 19 de fevereiro de 1812, embarcaram. Foram os primeiros missionários estrangeiros enviados pela igreja norte-americana.

No caminho, estudando o Novo Testamento para responder aos batistas ingleses de Serampore, os dois mudaram de convicção sobre o batismo — e perderam o sustento da sociedade que os enviara. Chegaram a Rangum, na Birmânia, em julho de 1813, sozinhos e sem apoio.

Seis anos

Judson mergulhou no birmanês, uma língua sem espaços entre palavras, sem gramática disponível, sem dicionário. Construiu um zayat, um alpendre à beira da estrada, onde se sentava para conversar com quem passasse.

E pregou. E ninguém se converteu. Um ano. Dois. Três. Quando perguntaram sobre as perspectivas da obra, ele respondeu que as perspectivas eram tão brilhantes quanto as promessas de Deus.

Fidelidade não se mede por resultado imediato. Se medisse, quase nenhum profeta da Bíblia teria sido aprovado.

Em 1819, seis anos depois de chegar, o primeiro birmanês foi batizado: Maung Nau.

A prisão de Ava

Em 1824, com a guerra entre o império birmanês e a Inglaterra, todo estrangeiro passou a ser suspeito de espionagem. Judson foi preso e passou cerca de dezessete meses em cárceres brutais, entre eles a temida prisão de Let Ma Yoon, acorrentado, pendurado pelos pés à noite, obrigado a marchar descalço sob o sol.

Enquanto isso, Ann — grávida, doente — subornava guardas, levava comida, implorava às autoridades e o manteve vivo. E fez algo que sempre me arrepia: para salvar da destruição o manuscrito da tradução do Novo Testamento, costurou os papéis dentro de um travesseiro duro e sujo, que ninguém quis roubar. A Palavra em birmanês sobreviveu dentro de um travesseiro.

Ann morreu em 1826, pouco depois da libertação dele, e a filhinha morreu meses depois. Judson entrou num luto profundo, chegou a viver isolado por um tempo. Mas voltou ao trabalho.

A Bíblia inteira e o povo Karen

Em 1834, ele concluiu a tradução completa da Bíblia para o birmanês — um trabalho tão sólido que continua em uso. Compilou também um dicionário monumental. E, enquanto os birmaneses resistiam, um povo das montanhas, os Karen, recebeu o evangelho com uma abertura extraordinária, e ali nasceu uma igreja robusta.

Judson morreu em 12 de abril de 1850, a bordo de um navio, buscando tratamento. Foi sepultado no mar.

O que colhemos do que ele plantou

Hoje, em Mianmar, existem milhões de cristãos, e boa parte das igrejas batistas daquela nação remonta àquele alpendre à beira da estrada. Ele não viu quase nada disso.

Amado, se você está num campo duro, num lugar onde parece que nada acontece, escute: a semente não é preguiçosa, ela só é lenta. Ande e chore agora. O feixe vem depois — e talvez venha para outros carregarem.