Existem histórias que a gente conta baixinho, com respeito. Esta é uma delas.
Eram cinco jovens. Jim Elliot, Nate Saint, Ed McCully, Peter Fleming e Roger Youderian. Tinham entre vinte e poucos e trinta e poucos anos, esposas, filhos pequenos, futuro aberto. Todos foram para a selva do Equador nos anos 1950 com um alvo específico: alcançar um povo indígena isolado, então chamado de “aucas”, que se autodenomina Waodani — um povo cercado de fama de violência, que matava qualquer estranho que se aproximasse.
Operação Auca
Eles fizeram tudo com cuidado. Nate Saint era piloto e sobrevoava a região, descendo presentes por um cesto amarrado a uma corda: facas, machados, roupas, fotografias. Aprenderam frases na língua e as gritavam por alto-falante. Aos poucos, os Waodani começaram a devolver presentes — penas, comida, um papagaio. Havia esperança.
Em janeiro de 1956, montaram um acampamento numa faixa de areia do rio Curaray, que apelidaram de Palm Beach. No dia 6, três indígenas se aproximaram e conversaram amistosamente. Os cinco escreveram cartas otimistas para casa.
No dia 8 de janeiro de 1956, um grupo de guerreiros voltou. Os cinco foram mortos a lanças na beira do rio. O avião foi destruído. Os corpos foram encontrados dias depois.
“Não é tolo aquele que dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder.” — Jim Elliot, diário de 28 de outubro de 1949
Ele escreveu isso sete anos antes. Não era frase bonita, era teologia vivida.
A parte que o mundo não esperava
A morte dos cinco chocou o mundo. Revistas publicaram fotos. Milhares de jovens se ofereceram para missões. Mas o milagre maior veio depois — e não tem explicação humana.
Elisabeth Elliot, viúva de Jim, com a filhinha pequena, e Rachel Saint, irmã de Nate, foram viver entre os Waodani. Aprenderam a língua. Ensinaram. Amaram. E aquele povo, que vivia num ciclo de vinganças de sangue que ameaçava exterminá-lo, foi alcançado pelo evangelho e abandonou as mortes por vingança.
Anos mais tarde, Steve Saint, filho de Nate, foi batizado nas águas daquele mesmo rio por Mincaye, um dos homens que participaram da morte de seu pai. Steve passou a chamá-lo de avô. Os filhos de Nate cresceram chamando de família aqueles que os deixaram órfãos.
O que eu aprendo com isso
Primeiro: Deus não desperdiça sangue. Humanamente, aquele dia foi um fracasso completo — cinco vidas jovens, cinco viúvas, nove crianças sem pai. Espiritualmente, foi semeadura.
Segundo: o perdão é a apologética mais poderosa que existe. Nenhum argumento convenceria os Waodani. A volta das viúvas convenceu.
Terceiro: cuidado com a nossa aritmética. Nós contamos vidas, Deus conta gerações. Aquelas cinco lanças abriram um povo inteiro, e depois abriram milhares de corações no Ocidente.
Amado leitor, quando o preço da obediência aparecer na sua frente, lembre-se da frase do diário. O que você não pode guardar, entregue. O que você não pode perder, receba.
