Se algum dia você achar que precisa de uma plataforma perfeita para Deus usar você, leia sobre Charles Haddon Spurgeon. E leia principalmente sobre o dia em que ele foi salvo.

Seis de janeiro de 1850

Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834, em Kelvedon, na Inglaterra, numa família cristã. Aos quinze anos, angustiado com a própria alma, saiu de casa numa manhã de 6 de janeiro de 1850 para ir a algum culto. Uma nevasca o obrigou a entrar na primeira porta que encontrou: uma pequena capela metodista primitiva em Colchester, com pouquíssima gente.

O pregador não apareceu. Um homem simples, sem instrução, subiu para dizer alguma coisa e leu Isaías 45.22: “Olhai para mim e sereis salvos”. Não sabia pregar. Ficou repetindo aquilo. Depois apontou o dedo para o adolescente no fundo e disse, mais ou menos: rapaz, você parece muito infeliz — olhe, olhe, olhe para Cristo!

Deus não precisa de um orador brilhante para salvar uma alma. Precisa de alguém disposto a apontar para Cristo.

Spurgeon dizia que naquele instante viu o sol. Poucos meses depois foi batizado, e antes dos dezesseis já pregava em vilarejos.

Londres aos dezenove

Em 1854, com apenas 19 anos, assumiu o pastorado da New Park Street Chapel, em Londres. A igreja estava esvaziada. Em pouco tempo, não havia lugar. Alugaram salões e ginásios. Em 1861 inauguraram o Tabernáculo Metropolitano, com cerca de seis mil lugares — e ele o encheu, duas vezes por domingo, por trinta anos, sem microfone, sem tela, sem banda.

Seus sermões eram taquigrafados, revisados e publicados semanalmente. Foram impressos por mais de meio século, formando dezenas de volumes, traduzidos para muitas línguas — e ainda hoje alimentam pastores no Brasil que nunca ouviram sua voz. Nunca frequentou universidade. Mas leu tudo o que pôde, montou uma biblioteca de milhares de volumes e escreveu obras que atravessaram gerações.

Não apenas púlpito

Spurgeon não foi só um pregador. Ele fundou, em 1856, um colégio para formar pastores, principalmente homens pobres que nenhuma instituição aceitava, e treinou centenas deles. Criou o Orfanato de Stockwell para meninos e depois meninas. Sustentou colportores, dezenas de sociedades de assistência, escolas e obras entre viúvas e idosos. Pregação e misericórdia caminhavam juntas.

A dor que ele não esconde

Aqui está a parte que mais tem me ajudado como pastor. Spurgeon sofria. Tinha gota, reumatismo e inflamações que o deixavam de cama por semanas, e passou os últimos anos indo à França para tratar a saúde. E sofria de profunda depressão. Ele escreveu sobre isso abertamente, dizendo aos seus alunos que havia períodos em que sua alma se abatia sem que ele soubesse explicar por quê.

Além disso, foi ferido em batalhas públicas: perdeu amigos ao denunciar o esvaziamento doutrinário de sua denominação, e chegou a se retirar dela. Um trágico acidente com pânico numa multidão, no início do ministério, o marcou pela vida.

Ele morreu em 31 de janeiro de 1892, em Menton, na França, com 57 anos.

O que fica

Não idolatre o púlpito, amado. O maior pregador do século XIX era um homem doente, deprimido, criticado, e ainda assim fiel. A grandeza dele não estava na força, estava na constância.

E se você está hoje na sombra, lutando contra algo que ninguém vê, escute o que aquele homem simples disse na neve: olhe, olhe, olhe para Cristo. Ainda funciona.